RELENDO COUTO REYS

13 \13\UTC janeiro \13\UTC 2010 at 09:52 Deixe um comentário

A luta pela preservação na natureza, do planeta e da vida, se acirra. Fatos como secas e enchentes fora do padrão estimulam a briga contra os insensatos, os gananciosos e corruptos, que só pensam no aqui e agora e não se importam em destruir o mundo em troca de um lucro letal. Leis de proteção ambiental são desrespeitadas, margens dos rios, lagoas e encostas de morros, áreas de preservação permanente, são invadidas. De vez em quando a natureza se revolta e leva tudo de roldão, causando destruição de vidas e bens. É sua forra, sua vingança contra os predadores.

O homem quer consumir até a natureza, fonte da sua vida. Um dia não terá a quem vender as madeiras extraídas ilegalmente, os combustíveis fósseis que saturam o ar de carbono, as hidrelétricas enchendo os rios de algas e acabando com os peixes. O homem é um irresponsável suicida, que ignora os alertas, como as mudanças climáticas.

O homem, predador por natureza, mereceu do recém-falecido antropólogo francês Claude Lèvi-Strauss essa dura observação: “Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele.”

Ao destruir irresponsavelmente o meio-ambiente, que lhe permitiu viver e se multiplicar, o ser humano vai acabar com a possibilidade de vida na terra, menos para as baratas e formigas. Infelizmente, o homem destrói tudo o que aprecia. A lagoa de Iquipari, até pouco tempo preservada, já começa a ser ocupada predatoriamente e o lagarto do rabo verde, que teme o ser humano, cauteloso se afasta um pouco mais.

O município de São João da Barra está mal colocado no ranking de proteção ambiental. Na barra do rio, a faixa de areia que vai de Atafona a Gargaú parece depósito de lixo. Meses atrás, num passeio pelo delta, vi imensa quantidade de garrafas e outros objetos de plástico na areia, até caixa de televisão e casco de tartarugas marinhas degoladas por redes de pesca. O Paraíba do Sul, com a extração clandestina de areia e despejo de tudo que ribeirinhos não querem, está se transformando em esgoto a céu aberto. As margens desmatadas foram ocupadas por pastos, que desbarrancam e assoreiam seu leito.

Relendo o militar paulista Manoel M. do Couto Reys, que em 1785 escreveu a “Descrição geographica do districto de Campos”, para acompanhar os mapas da região, é que se vê o tamanho do estrago feito pelo homem no norte-fluminense.

Onde encontrar agora, por exemplo, árvores com 20 palmos de circunferência que ele viu? Em excursão ao manguezal encontramos uma siribeira que depende de sete homens para ser abraçada. Dizem que há outra que só dez homens conseguem abraçar, em cujas raízes há tocas de cachorros-do-mato e guaxinins.Vão resistir por quanto tempo mais?

As lontras sobreviventes só aparecem em pontos do rio onde não encontram esse bicho mau chamado homem. Os jacarés de papo amarelo, os famosos ururaus, que eram tantos que deram seu nome ao rio Ururaí, viraram bolsas e cintos há muito tempo. O aparecimento de uma desavisada capivara enseja perseguição que só termina com a pobre na panela. As antas, que nomearam uma fazenda, foram devoradas. Urubus-rei viraram carniça, araras sumiram. É mais fácil encontrar marrecas irerês e outras aves nos lagos do Campo de Santana, no Rio, ou no jardim do sindicato da avenida 28 de setembro, em Campos, do que em nossos campos onde, pelo relatório de Couto Reys, abundavam. Assim como dezenas de outras aves e animais, alguns extintos com tanta eficácia que nem nos zoológicos se encontram mais. E que dizer das onças, cobras, macacos, gatos e porcos do mato, veados e tantos outros bichos impiedosamente caçados pelos humanos? Todos, mais os ambientes em que viviam, mata, restinga, cerrado, tinham função vital na natureza. Qual será a conseqüência de sua extinção?

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