Tanta vergonha, meu Deus!

14 \14\UTC dezembro \14\UTC 2009 at 14:33 Deixe um comentário

A gente já está se acostumando com a tsunami de corrupção que invade e destrói o país e isso é muito ruim. Virou rotina de mau gosto ver autoridades escondendo dinheiro roubado do povo em cuecas, meias e outros repositórios. Porque pode ser que alguns, como os detentos franceses que iam para a prisão da ilha do Diabo, façam rolinhos com as notas e os introduzam em lugares recônditos e mau cheirosos. Como a consciência deles. Sinto tanta vergonha ao ver isso! Mais que indignado, eu sinto vergonha dos nossos homens públicos! Podem dizer que não são todos assim e eu me pergunto, desanimado: será que não? Na recente orgia de corrupção em Brasília, que envolveu o governador e seus asseclas, o que mais me espantou foi assistir à constrangedora roda de corruptos, contritos, agradecendo com uma oração o bom resultado de seu mal feito. Agradecendo a quem? A Deus não pode ser, seria escárnio em demasia. E no meio da minha confusão mental e moral, sabendo que dentro de mais alguns dias, ou horas, um outro escândalo igual ou pior vai me fazer esquecer esse, eu me pergunto: por que esse aumento brutal de corrupção? A gente sabe que em todos os governos que antecederam o de Lula houve corrupção, tanto que quando Clinton era presidente dos EUA e pretendeu vir ao nosso país, a equipe norte-americana que preparou a visita elaborou um relatório onde registrava que a corrupção era endêmica no Brasil. Por que isso acontece? O jornalista Mino Carta, escreve em CartaCapital de dezembro, que a razão deve ser a impunidade. Diz ele na matéria “A certeza da impunidade”: “Não é difícil apontar como primeiro motor a impunidade, e a certeza dela. É nesta certeza que se estabelece a ousadia inaudita dos senhores da nossa Idade Média Tropical.” O que significa que a corrupção vai continuar, pois a nossa Justiça, além de lenta, nunca pune os poderosos. Se roubou um xampu vai pra cadeia, se lesou os cofres públicos sobe na vida. Parece que continuamos a viver os tempos em que transcorreu o romance “Os miseráveis”, de Vítor Hugo. E o pior é que ninguém se espanta mais. Virou rotina Alguns governantes parecem blindados, nada os atinge. De vez em quando a Justiça, notadamente a eleitoral, acerta um e o derruba. Mas a força da transgressão é tão grande, graças ao dinheiro captado dos cofres públicos, que logo logo os melhores advogados entram com recursos e eles são devolvidos às suas funções. A punição torna-se meramente decorativa, algo pra inglês ver, como se dizia no tempo de meus avós. Por que se todos os condenados fossem presos, não haveria cadeia suficiente. Se pudesse dosar, se apenas 50% da corrupção fosse evitada, o Brasil estaria no mais alto da lista dos países mais desenvolvidos. Hoje vemos crescer o número de viagens à Europa e a outros badalados centros de turismo, ao mesmo tempo que a violência explode nas comunidades mais pobres, atingindo os mais ricos de raspão. Até quando? Na quinta-feira 10, em São Luiz, terra do impoluto Sarney, o presidente Lula falou que a sua união com antigos inimigos e venerandos corruptos deve-se ao “pragmatismo da governança”. Ou seja, que a elite e os políticos pratiquem todas as transgressões, roube o dinheiro do povo à vontade, pois em nome da tal governabilidade tudo será permitido. E a candidata à sua sucessão diz pensar igual a ele. Que Deus nos ajude!

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