Precisa-se de um super-heroi

17 \17\UTC novembro \17\UTC 2009 at 10:24 2 comentários

Que decepção! A prestigiada revista Forbes, de circulação internacional, divulgou um ranking inédito, listando os homens mais influentes do planeta. O primeiro é Barak Obama. O “cara” Lula da Silva vem em 33º, um pouco acima do outro brasileiro listado, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, protetor dos produtores de soja. Obama em 1º, Osama em 37º e o Papa Bento XVI em 11º lugar. Quem bolou os critérios para a classificação, em outros tempos, ia parar na fogueira da Inquisição. Critérios discutíveis, que elegeram o presidente norte-americano para o Nobel da Paz, ele que está enviando mais soldados para morrerem no Afeganistão, apesar de ter prometido encerrar mais essa guerra predatória dos anglo-saxões.

     O que, porém, choca é a inconcebível ausência, na badalada lista, do super-herói Eike Batista. Logo Eike, o super-herói, não está entre os mais influentes do mundo? Ele, que acaba de doar à cantora Madona, a bagatela de U$ 7 milhões, após jantar em seu apartamento, sem a companhia de Jesus. Eike é tão importante, mas tão importante que o apagão, que deixou às escuras mais da metade do Brasil, dizem que foi providenciado para que a loura popstar tivesse um autêntico jantar à luz de velas. Ele é tão influente que a placa de sua camionete Toyota é EBX 9911. Não é pra qualquer um.

     Batista, que freqüenta meu imaginário desde que aproveitou o projeto do porto off-shore bolado pelo atual presidente da Cedae e o transformou no complexo portuário do Açu, que vai trazer tantos vinte mil empregos para o município que ele vai ser obrigado a criar a Cidade X, a nova Xangai, para atrair gente suficiente para ocupar os postos de trabalho, assumiu o lugar de de super de fato quando a mesma revista Forbes, bíblia dos ricos e famosos do mundo inteiro, lhe deu o título de homem mais rico do Brasil e 6º do mundo. E agora ela vem com essa história de que ele não é tão influente quanto rico? O dinheiro serve pra quê então? Só pra Madona fazer caridade na África, enquanto as crianças nordestinas morrem secas? Inominável traição ao super.

    Será que os juízes que montaram a lista não viram as caridades do Eike, como os canais para escoamento de água pluvial que está abrindo em São João da Barra e que o povo ingrato, apelidou de ramais do metrô? E o distrito industrial, onde vai tirar terra de agricultores pobres para dar a industriais ricos?  Isso não é progresso? E o asfaltamento da estrada Caetá-Açu, para facilitar o trânsito dos caminhões pesados da LLX?

     A sua holding EBX, dizem os jornais, faz parceria com os mais diversos grupos financeiros do mundo para atuar em todas as áreas, da produção de cosméticos a fontes renováveis de energia. É muita grana! Apesar disso, suas ações são as que mais perderam valor com a crise financeira mundial, informou O Globo.

     A colunista dos chiques, Hildegard Angel, do Jornal do Brasil, sua fã incondicional, não se cansa de louvá-lo. Conta que ele imprimiu para a Riotur uma folheteria completa de turismo e despolui a lagoa Rodrigo de Freitas sem pedir nada em troca, que comprou blocos para exploração de petróleo no mar, minas, hotéis e restaurantes e quer erguer uma cidade em nossa terra. Querem mais o quê, os juízes? Que ele saia voando como o super-homem? Super-homens têm seus limites, pó!

     Os principais super-heróis das histórias em quadrinho surgiram nas décadas 1930/40, nos EUA quando o mundo enfrentava uma de suas piores crises financeiras, que arruinou famílias, empresas e governos. Foram criados para insuflar um ânimo positivo nos norte-americanos classe média que, deprimidos, enfrentavam filas para conseguir um prato de sopa para poder esperar o fim da crise mundial.

      E nós, que vivemos em crise? Precisamos de um super-homem que cuide da saúde, da infra-estrutura e de outros problemas graves do município. Será que no fundo espero que além de criar o maior parque de restinga do mundo, ele olhe para nosso povo, tão carente de tudo?

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Entry filed under: Crônicas.

O que é bom dura pouco. AUTO DA FUNDAÇÃO DA MUI NOBRE E FESTEIRA CIDADE DE SÃO JOÃO DA BARRA

2 Comentários Add your own

  • 1. Andre Pinto  |  18 \18\UTC novembro \18\UTC 2009 às 17:54

    Carlos, parece que a Madona viroua “Mulher Maravilha” e o Eike Batista se tornou o “Homem de ferro” ou “homem do ferro”, não acha?
    Abraços
    Andre Pinto.

    Obs. Fianlmente te farei uma visita neste sábado.

    Responder
  • 2. blogovagalume  |  21 \21\UTC novembro \21\UTC 2009 às 20:21

    Muito bom! Gostei da maneira sarcástica do autor…rs

    Responder

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