NÃO À CORRUPÇÃO

12 \12\UTC janeiro \12\UTC 2009 at 17:56 Deixe um comentário

Como se inicia a corrupção? Como começa essa onda de apropriação indébita do dinheiro público que acaba em escândalos sucessivos e na resignação do povo com os atos ilícitos?

A corrupção começa com certas atitudes corriqueiras, aparentemente inofensivas, como furar filas, aceitar gratificações para fazer o que deveria ser feito sem ônus, facilitar certas benesses, criar problemas para vender soluções, utilizar do famoso “jeitinho brasileiro”.

Criou-se no país a prática de dar a volta nos outros, obter vantagens indevidas, comprar votos para ser eleito, ocupar cargos para afanar o dinheiro dos impostos. É comum se ouvir a frase: Ah, é dinheiro do governo, que o utiliza mal, logo, não há problemas em meter a mão. Como se o dinheiro do governo nascesse em árvores ou caísse do céu e não saísse de nossos bolsos e prejudicasse o país. Se o governo gasta mal e não aplica o dinheiro que recolhe com impostos, cabe ao cidadão reclamar, cobrar eficiência e não roubar.

A situação ficou tão séria que programas sociais, como a distribuição de cheque isso ou vale aquilo, cesta básica ou qualquer outro benefício à população carente transformou-se em moeda de troca por votos. Raros os candidatos a cargo eletivo que não se utilizam desses métodos sujos. E ainda se sentem benfeitores. Em nenhum momento sentem vergonha, acham que é assim mesmo, que todo mundo faz assim.

E assim sonega-se impostos, vende-se comida estragada para a merenda escolar, remédios com validade vencida para hospitais públicos, usa-se material de terceira para a construção de casas populares e prédios públicos. Sempre me pergunto o que deve sentir um cantor popular, que enche uma praça de fãs, ao saber que recebeu de cachê a metade ou um terço do que foi cobrado ao promotor do evento. Também me pergunto se dói a consciência de um empreiteiro ao ver que a rodovia, que asfaltou com material ruim, provocou acidentes de trânsito com mortos e feridos. Como consegue dormir? Como olha nos olhos dos outros? Como se vê no espelho?

Com naturalidade, sem dúvida, com a mesma cara de pau com que oferece bebida falsificada aos convidados de suas festas, dá propina a funcionários mal pagos, seduz mulheres e fabrica amigos, todos descartáveis. O rubor do remorso não lhe tinge a face.

Com isso as eleições no país se transformaram em balcões de negócio. Os candidatos mais votados são sempre aqueles que, se aproveitando das carências dos cidadãos mais pobres e outros não tão pobres assim, ofereceram mordomias, cestas básicas, empregos de baixos salários e às vezes sem trabalho. Além de humilharem o cidadão por lhe dar dinheiro que tiraram dos cofres públicos, atingem sua dignidade. Que homem ou mulher sente-se bem em comer e vestir o que outros pagam? Em saber que está sendo usado por ladrões?

A eleição para cargos públicos deixou de ser representativa, transformou o processo democrático numa dolorosa farsa. Nenhum candidato se preocupa em apresentar programa de governo, em fiscalizar os gastos públicos, em trabalhar para o bem da comunidade que diz representar. Acha que não foi eleito para isso, acha que enganou os trouxas e finalmente obteve a oportunidade de se locupletar, de explorar o erário, de enriquecer ou, no mínimo, de viver à larga, usufruindo o bem que deveria ser de todos. Sem qualquer escrúpulo.

Que se dane o excesso de impostos, ele quer que o governo arrecade mais para que sua mão nervosa traga mais dinheiro quando gadunhar os recursos que deveriam ser utilizados na melhoria das condições de vida dos eleitores, a quem, certamente, quando está sozinho, satisfeito, sentindo-se muito esperto, chama de babacas.

Precisamos acabar com isso, dar um não à corrupção, ou o país afundará no pântano da imoralidade e aumentará a miséria de muitos em favor de poucos.

Rio, out/08

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Debaixo dágua LÁ VEM O TREM

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